16/07/08

Namoro Não!





 Uma bofetada fez-lhe voltar à realidade. Tinha-se esquecido onde estava. O seu mestre, na oficina, perguntava se estava a dormir na forma. Por acaso estava, pensava nela!

 Enquanto as raparigas riam-se nos corredores da Escola João Crisóstomo, ele permanecia cá fora tentando vê-la. O seu coração batia descompassado quando a viu, ali estava ela no piso de cima olhando para ele.

 Acabadas as aulas ele, sem jeito, acompanhava-a até à Vila Alice. Morava numa rua perto do Largo Cesário Verde. Olhos castanhos, cabelo comprido, rosto bonito.

 Conversas banais de um coração apaixonado. Era a mulher da vida dele pensava aquele puto, metade adolescente, metade criança.

 O tempo passava e ele sempre vidrado naquela mulher, como se ela fosse a única, como para além dela mais não houvesse.

 As amigas dela eram as dele, para mais perto poder estar. Iam ao cinema, toda a família pensava que ali havia namoro.

 Escola Industrial de Luanda, mais uma vez ele a esperava. Andavam na mesma escola em turnos diferentes. Ele, trabalhador/estudante, ia para as aulas nocturnas, ela estava de saída das aulas.

 Devagar, caminhavam lado a lado. Da Vila Clotilde para a Vila Alice passavam perto de uma escola primária, em frente estava a casa da sua professora de Ciências.

 Ele decidiu-se. Olhando-a nos olhos, com a paixão que sempre o tinha acompanhado naqueles anos todos, pediu-lhe namoro! Ela disse que não!

 Ao longe uma música tocava, é esta que estão a ouvir, dela só o seu nome restou, M. J..

1 comentário:

elvira carvalho disse...

Gostei. E lembrei a Vila Alice. Tanta vez que a atravessei.
Um abraço