21/03/19

Foto Beleza - Luanda

Do pai do meu amigo Mário Marques da Silva, era o local privilegiado para as fotos que queríamos, tanto para a Escola, como para o Bilhete de Identidade.

Bom profissional, todas as fotos eram garantidamente de qualidade. Já aqui tinha colocado esta foto a preto e branco, tirada na Foto Beleza.

Vi há pouco, que essa foto (tinha eu 18 anos) serviu para o Curso de Aperfeiçoamento na Escola Industrial de Luanda. Pelo facto de estudar de noite, tinha-se, creio, que estudar mais dois anos, para ter equivalência aos que tiravam o Curso durante o dia.

Como seria essa foto a cores? Se penso, logo existo (René Descartes), e como não gosto de pensar e não executar, aqui está ela.

Ficou muito bem, graças à boa qualidade da foto original.

Esteja onde estiver o Sr. Silva, Obrigado pelas fotos tiradas na Foto Beleza, um marco na vida de todos nós, lá no Bairro de S. Paulo, o bairro mais genuíno, e onde moravam as moças mais belas de Luanda. Quem sabe se o Sr. Silva, quando deu o nome, não se baseou na formosura das moças desse bairro.

foto: eu com 18 anos, 'pintada' de uma foto a preto e branco tirada na foto Beleza.

11/03/19

Bons velhos tempos

Isto sim é que eram bons tempos. Agora a música e os bailes já não têm o mesmo encanto de outrora. Dançam separados e quando juntos têm o telemóvel de permeio. Já não há os encostos, o cheirar o cabelo da menina, o sussurro ao ouvido.
Já não há a tal confusão entre algo que 'acorda' na altura e o porta-chaves.

O tempo perdeu o encanto desta idade da inocência. Agora dorme-se com o telelé e siga a dança.

Bons velhos tempos.

https://www.facebook.com/doceencantosaudavos/videos/1166384390199815/?t=20

20/05/18

Bairro Operário

O Bairro de S. Paulo e o Bairro Operário são "irmãos". Muitas vezes irmãos desavindos, porque limitávamos a nossa zona da que diziam que era porta sim, porta sim. Mas não era. Muita e boa gente lá morava e na escola primária creio que a nº 8 (perto do cemitério velho), muitos do nosso Bairro estudaram.

Houve sempre a confusão onde acabava o Bairro de S. Paulo e começava o Bairro Operário. Ora era na Rua Missão de S. Paulo, ora na Rua António Brandão de Melo. Pois era exatamente nesta última que começava o Bairro Operário. A famosa Vouzelense já era nesse bairro. Bairro onde se misturava as noites de sexo proibido, com as grandes farras que por lá haviam.

Hoje o nosso bairro de S.Paulo pertence à comuna do Bairro Operário.

Os irmãos "desavindos" são um só.

A historia do Bairro Operário confunde-se com a história de Luanda.

Empurrados pelo regime vigente na altura, a antiga burguesia de S. Paulo de Assunção de Loanda, foi marginalizada, ocupando esse espaço onde se confundiu, com os habitantes humildes que lá habitavam.

Será um pouco sobre esse bairro que tanto nos diz, pois o Bairro Operário (a denominação tem a ver com o facto de ser habitada por operários dos caminhos-de-ferro), faz parte da nossa vivência, que aos poucos irei aqui colocar aqui um pouco da sua existência.

Irei pedir ao Jaccques Arlindo dos Santos que através do seu olhar e da sua pena, me conte o ABC do Bê Ó.

Antes do "nascimento" do nosso Bairro, antes do nascimento da Igreja Missão de S. Paulo, já o Bê Ó existia. O tal musseque (“Musekes”, que em kimbundu significa lugar (Mu) de areia (Seke)), de terra vermelha, que diziam que era porta sim, porta sim, afinal, não era só de tiros na noite de algum marido ciumento, mas de farras até altas horas, das enxurradas que se abatiam naquela velhas casas, de quem ia até à cidade (estando também na cidade) à busca de um pequeno trabalho que desse para ganhar algum que a família tinha que comer.

11/04/18

A Marmita

Regresso da Escola Industrial de Luanda para casa depois de mais um dia de aulas. Desta vez vinha sozinho.

Venho pela Alameda D. João II. Uma bicicleta de gelados passa e claro que dali saiu um baleizão para mim.

Saboreio o gelado. Fim da Alameda, viro para a Rua Paiva Couceiro em direção ao meu bairro de S. Paulo.

O passeio, ainda de terra, era bastante largo. Ao lado, o muro onde por dentro funcionava a Empresa de Eletricidade (não sei o nome certo), hoje ENDE.

O trânsito vai fluindo, mas entretido com o gelado nem presto muita atenção. Se viesse com alguém era certo e sabido que se faria o jogo das matrículas (quem perdesse levava os livros do outro).

De repente um barulho. Olho e vejo uma carrinha de caixa aberta a galgar o passeio onde ia. Começo a correr e a carrinha atrás de mim. Até que por fim parou. Vejo a cabeça de um homem a aparecer e a seguir o resto do corpo. Vou ter com ele e digo-lhe que por pouco não me tinha apanhado.

O homem estava aflito pelo acontecido e pedindo desculpa disse que tinha sido por causa da marmita. Ao dar a curva da D. João II para a Paiva Couceiro a marmita que estava no banco ao lado tinha caído e ele, ao se baixar para a apanhar, virou o volante e daí a carrinha ter galgado o passeio.

Safei-me desta, pensei eu, e ao mesmo tempo apercebi-me que mesmo com a carrinha atrás de mim, não tinha deixado cair o gelado. A marmita caiu, mas o gelado não.

:)

fotos: o local mais ou menos onde ocorreu a situação e a bicicleta dos gelados que era frequente ver, assim como os de mão, nas ruas de Luanda.

23/03/18

"O que somos a eles o devemos"

Fui aluno de uma professora que me marcou pela positiva, a Professora Luísa Brito. Essa minha professora de quem tenho gratas recordações, que me deu aulas no Ciclo Preparatório na Escola Industrial de Luanda no ano lectivo 1963/1964 e na João Crisóstomo 1964/1965 na disciplina de Ciências Geográfico-Naturais, morava numa vivenda perto da Escola Industrial (Rua António Nobre) e tinha três filhas. Em 1965 nasce o 4º filho, um rapaz.

De todos os professores que tive, foi a única que nunca esqueci.

Fui muitas vezes a essa vivenda pois a Professora dava-me lá explicações. Embora eu fosse um muito bom aluno, mas como esteve muito tempo ausente devido à gravidez, sempre era uma ajuda para o exame do ciclo. Sei que as filhas estavam muitas vezes presentes. Como gostava muito dessa Professora tinha sempre 20 valores pois quem nos ensina e sabe ensinar, sabe motivar e nós damos o nosso melhor. Um dia deu-me um 16 e eu perguntei-lhe a razão já que tinha tudo certo e ela disse-me: «Mário dou-te um 16 que é para não te habituares mal».

A entrada para o interior da vivenda, em frente de uma Escola Primária entre a Vila Clotilde e a Vila Alice, era à esquerda e, em frente do portão, um "corredor" onde ficava o carro ("SAAB" branco). Atrás, uma mangueira de onde muitas mangas comi.

A Professora Luísa Brito nascida em Benguela, foi muito nova para a cidade do Porto onde tirou o curso de Biologia na Faculdade Ciências do Porto. Regressa a Angola (neste caso a Luanda), já casada.

Havia uma empatia muito grande entre mim e esta Professora. Talvez porque ela tinha 3 meninas e desejasse um rapaz. Lembro-me de ficar "aborrecido" quando soube que ia ter um rapaz. Senti-me de fora. Tinha acabado o meu estado de "graça" pensava eu. Mas não, continuei ser o menino que procurava tirar 20 valores para ter o prazer de ser chamado ao quadro quando havia qualquer matéria em ciências mais duvidosa para os outros alunos.

Depois fui trabalhar e perdi o contacto. 54 anos passados, através de uma das filhas, voltei a "encontrá-la". Infelizmente tarde, faz dia 24 deste mês, 11 anos que faleceu.

O que me impressiona é o facto de me lembrar de tantos pormenores. Tinha na época 12 anos. Quando muito se gosta, não há tempo nem espaço que faça esquecer.

Até Sempre minha Professora, Luísa Brito!

Eu com 12 anitos... como o tempo passa!

27/02/18

As farras em Luanda

Não havia um fim de semana que não se fosse dar um pé de dança, se não era nos quintais com o conjunto "Os redondos" (entenda-se discos ;) ), era no Transmontano, na Casa do Minho, na Textang, na Terra Nova e outros locais, e eram muitos os conjuntos que abrilhantavam essas farras, como "A Teima", "Os 5 de Luanda" e... curiosamente, num escrito meu, tenho datas e locais onde dancei em 1972 ao som dos:

- The Blue Rivers (16 de janeiro, 19 de março e 25 junho de 1972 na Textang)

- Os Santos (6 de fev. e 7 de abril de 1972 - Textang)

- African Boys (atuaram num Carnaval - 12 fev. 1972 - nos SMAE em que lá esteve tb o Joselito)

- New Lovers - 5 de março, 28 maio e 23 de julho de 1972 - Textang, 17 set. e 22 de out. na Terra Nova

- Conjunto Time - 3 de setembro de 1972 - Terra Nova

Claro que como era um frequentador assíduo do "Clube Transmontano" essas farras não eram mencionadas, "Os 5 de Luanda" e "A Teima" eram quase uma constante nesse Clube.

Aqui estão alguns desses Conjuntos:


24/02/18

Duo Ouro Negro - Luanda

Luanda quem de ti não gostou,
é porque nas tuas ruas não andou.

"Luanda,
Debruçada sobre o mar
Onde as ondas, uma a uma,
vêm desfazer-se em espuma,
À tua Ilha beijar...

Luanda,
Da Fortaleza em pendor,
Na expressão de uma aguarela,
Que o artista, com fervor,
Pintou majestosa e bela...

Luanda,
Do batuque p'la noitinha,
Das acácias em flor...
És tu, Luanda rainha,
Senhora do meu amor."

Eleutério Sanches