Urbano de Castro - Mulata
Durante anos convivemos com estas "Casas". Faziam parte da nossa vida em Luanda, pois de uma forma geral todos nós as conhecíamos, uns mais que outros por serem deste ou daquele bairro e por isso mais próximos de quem lá vivia. Aqui ficam as publicidades dessas "casas". Para as ver melhor, basta clicar em cima das imagens.
Quem morava no meu Bairro de S. Paulo, quem é que não conhecia a "FOTO BELEZA" do pai dos amigos Fernando e Henrique?
A famosa "Pastelaria Vouzelense" dos irmãos Tojal.
Da "Fábrica de Borracha", no Macambira, junto à nossa Escola João Crisóstomo na Vila Alice.
Do "Dantas e Valadas" na baixa luandense
Da "Marisqueira Amazonas", com a sua esplanadana, na Avª Restauradores
Boas recordações!
16/07/10
17/12/09
Angola, Anos 70
Boas Festas e Feliz Ano 2010!
07/11/09
Da Póvoa a Luanda
"Tinha eu nove anos,
Da minha terra me afastei,
Olhos de criança,
Já com saudades, chorei."
Fevereiro de 1962. Eu, mais 3 irmãos (3 rapazes e uma rapariga) dizíamos adeus à terra onde tínhamos nascido, Póvoa de Varzim. Acompanhados pelo nosso tio António, subimos para o comboio rumo a Lisboa.
Para trás ficavam pedaços da nossa vida. Nossos pais aguardavam-nos em Luanda. O meu pai, devido à prole ser imensa (seis filhos) já tinha para lá ido em 1959. Era uma "província (ultramarina) portuguesa" mas teve que ir com uma carta de chamada senão não podia embarcar (em 13 de Abril de 1961, depois da rebelião, disse Salazar: "Para Angola rapidamente e em força". Só devido à guerra é que foi abolida a carta de chamada. Era mais fácil dar o salto para França do que ir para Angola). A minha mãe e mais dois dos meus irmãos, os mais pequenos, foram em 1960.
Lisboa foi algo maravilhoso para nós. Ficámos numa pensão ali para os lados do Marquês de Pombal. Subimos no elevador de Santa Justa e vimos a cidade lá do alto. Um dia saímos os três rapazes sozinhos, como se conhecêssemos bem a cidade, olhando montra atrás de montra, cheios de motivos carnavalescos, perdemo-nos. Felizmente encontrámos um polícia e sendo o meu irmão mais velho o de melhor memória, lá conseguimos chegar à pensão onde recebemos um ”raspanete” do meu tio, que já estava preocupado. Pudera!
No dia 20 de Fevereiro de 1962, embarcámos no navio “Quanza”. O meu tio ficava ali no cais de Alcântara dizendo adeus àqueles quatro sobrinhos, um com sete, outro com nove, outro com 11 e a minha irmã mais velha com 16 anos. À largada, no convés, muitas lágrimas foram vertidas nessa despedida.
"Atravessei o oceano,
Para terras desconhecidas,
Quanta gente no velho barco,
Para começar novas vidas."
Embora tivesse nascido em terra de mar, os 14 dias que demorou o “Quanza” de Lisboa a Luanda foram, para mim, de suplício. Mas não deixámos de fazer as nossas patifarias dentro do barco, desde ir por corredores em aventuras desconhecidas até à sala das máquinas, retirar os ganchos das redes dos beliches (era queda certa para quem nela se deitasse) até ”namoros” com garotitas da nossa idade, tudo se fez. Ainda hoje me lembro do cheiro do chá e da manteiga que nos serviam.
"Eu, criança, sem pensar,
Na brincadeira me lancei,
E a terra, onde nasci,
Nunca mais a recordei."
A passagem do Equador foi festiva, e com enjoos e golfinhos lá decorreram os dias. Chegámos a Luanda no dia 6 de Março de 1962, dia de Carnaval. Era noite escura. No cais aguardavam os nossos pais.
Descida a escada o meu pai sobe e a primeira pergunta que faço é:
-Pai, tem bananas em casa?
Tinha!...
... E assim começou uma nova vida para aquela família, agora junta, que um dia demandou para terras africanas!
Paquete Quanza
P.S. – A banana, na época, era rara em Portugal. Só a comiam pessoas com posses, daí a minha pergunta.
Da minha terra me afastei,
Olhos de criança,
Já com saudades, chorei."
Fevereiro de 1962. Eu, mais 3 irmãos (3 rapazes e uma rapariga) dizíamos adeus à terra onde tínhamos nascido, Póvoa de Varzim. Acompanhados pelo nosso tio António, subimos para o comboio rumo a Lisboa.
Para trás ficavam pedaços da nossa vida. Nossos pais aguardavam-nos em Luanda. O meu pai, devido à prole ser imensa (seis filhos) já tinha para lá ido em 1959. Era uma "província (ultramarina) portuguesa" mas teve que ir com uma carta de chamada senão não podia embarcar (em 13 de Abril de 1961, depois da rebelião, disse Salazar: "Para Angola rapidamente e em força". Só devido à guerra é que foi abolida a carta de chamada. Era mais fácil dar o salto para França do que ir para Angola). A minha mãe e mais dois dos meus irmãos, os mais pequenos, foram em 1960.
Lisboa foi algo maravilhoso para nós. Ficámos numa pensão ali para os lados do Marquês de Pombal. Subimos no elevador de Santa Justa e vimos a cidade lá do alto. Um dia saímos os três rapazes sozinhos, como se conhecêssemos bem a cidade, olhando montra atrás de montra, cheios de motivos carnavalescos, perdemo-nos. Felizmente encontrámos um polícia e sendo o meu irmão mais velho o de melhor memória, lá conseguimos chegar à pensão onde recebemos um ”raspanete” do meu tio, que já estava preocupado. Pudera!
No dia 20 de Fevereiro de 1962, embarcámos no navio “Quanza”. O meu tio ficava ali no cais de Alcântara dizendo adeus àqueles quatro sobrinhos, um com sete, outro com nove, outro com 11 e a minha irmã mais velha com 16 anos. À largada, no convés, muitas lágrimas foram vertidas nessa despedida.
"Atravessei o oceano,
Para terras desconhecidas,
Quanta gente no velho barco,
Para começar novas vidas."
Embora tivesse nascido em terra de mar, os 14 dias que demorou o “Quanza” de Lisboa a Luanda foram, para mim, de suplício. Mas não deixámos de fazer as nossas patifarias dentro do barco, desde ir por corredores em aventuras desconhecidas até à sala das máquinas, retirar os ganchos das redes dos beliches (era queda certa para quem nela se deitasse) até ”namoros” com garotitas da nossa idade, tudo se fez. Ainda hoje me lembro do cheiro do chá e da manteiga que nos serviam.
"Eu, criança, sem pensar,
Na brincadeira me lancei,
E a terra, onde nasci,
Nunca mais a recordei."
A passagem do Equador foi festiva, e com enjoos e golfinhos lá decorreram os dias. Chegámos a Luanda no dia 6 de Março de 1962, dia de Carnaval. Era noite escura. No cais aguardavam os nossos pais.
Descida a escada o meu pai sobe e a primeira pergunta que faço é:
-Pai, tem bananas em casa?
Tinha!...
... E assim começou uma nova vida para aquela família, agora junta, que um dia demandou para terras africanas!
P.S. – A banana, na época, era rara em Portugal. Só a comiam pessoas com posses, daí a minha pergunta.
20/10/09
Olhar de novo o nosso Bairro!
Agora pela objectiva do meu amigo Luís, vamos de novo dar uma volta pelo nosso Bairro de S. Paulo. Iremos recordar locais que nos foram muito queridos há muitos anos atrás. O que se irá ver não é mais que um recordar. Saber que andamos nestas ruas e vê-las já é bom.
De Luanda, em pesquisa na net, só temos a baía, a Ilha, o Mussulo, os Combatentes e pouco mais. O resto era paisagem. Com estas fotos voltámos a percorrer as nossas ruas (como acontece no tema anterior), as ruas de hoje mas que fazem parte do tempo em que as acácias floriam sobre o nosso olhar.
Ao som de Shegundo Galarza, "Canção de Angola", voltemos então ao nosso Bairro, à nossa Igreja e aos locais onde fomos felizes.
Tudo de bom!
Fotos tiradas em 2008
06/08/09
O meu Bairro em Imagens
Esta é a minha Rua, a Rua Vereador Prazeres. Nela morei 6 anos (outros 7 anos foram na Rua do Lobito). Foi nesta rua que cresci, brinquei, corri de trotinete e de carros de rolamentos em volta das Bombas de Gasolina que se vê na imagem e jogava à bola no passeio frente à Casa Lisboa. Aqui fiz muitos amigos que ainda hoje os recordo. Era daqui, desta rua, que íamos até às barrocas "voar" para a areia branca. Foi aqui nesta rua, que aprendi a gostar desta terra vermelha, foi aqui que tudo começou!

Ao clicarem nesta imagem irá abrir-se um mapa, o mapa do meu Bairro. Está numerado e tem uns pontos. Basta lá passar o "rato" e irão ver imagens de S. Paulo. Se seguirem a ordem numérica irão passear por S. Paulo como se fossem vocês a lá estar. Como está o nosso Bairro não importa. Estão lá as nossas ruas e isso é que faz parte das nossas memórias, o resto é África.
Outros mapas se seguirão. Os meus agradecimentos ao Dimas Neto, à Afrodite e ao meu amigo Luís pelas fotos enviadas.
Do amigo Luís muitas mais fotos irei colocar numa próxima oportunidade.
Bairro S. Paulo sempre! "Támos" juntos!
Foto: Luís
Ao clicarem nesta imagem irá abrir-se um mapa, o mapa do meu Bairro. Está numerado e tem uns pontos. Basta lá passar o "rato" e irão ver imagens de S. Paulo. Se seguirem a ordem numérica irão passear por S. Paulo como se fossem vocês a lá estar. Como está o nosso Bairro não importa. Estão lá as nossas ruas e isso é que faz parte das nossas memórias, o resto é África.
Outros mapas se seguirão. Os meus agradecimentos ao Dimas Neto, à Afrodite e ao meu amigo Luís pelas fotos enviadas.
Do amigo Luís muitas mais fotos irei colocar numa próxima oportunidade.
Bairro S. Paulo sempre! "Támos" juntos!
Foto: Luís
20/05/09
O Meu Amigo Luís!
Somos da geração do fazer o brinquedo com que brincávamos. A uma lata de sardinhas fazíamos quatro furos, dois paus, quatro caricas, um fio e lá puxávamos o nosso carro. Nas caricas colocávamos casca de laranja lá dentro, fazíamos um pista com giz e com os dedos fazendo mola, zás lá ia carica. Quem saísse fora do percurso começava no sítio onde estava anteriormente. Ganhava quem primeiro cortasse a meta.
Os carros de rolamentos, as trotinetes, as nossas camionetas de bordão, os nossos papagaios de papel tudo era construído por nós. E éramos felizes!

Ir para a escola não era o papá ou a mamã que nos levava de carro, íamos a pé e a escola ficava a km do local onde morávamos. Eu e o meu amigo Luís que, segundo a “lenda”, fui eu que o baptizei de «Periquito» e ainda hoje é conhecido por esse nome de "baptismo", filho do dono da Sapataria S. João. Partíamos da Rua Missão de S. Paulo em frente à Igreja de S. Paulo até aos Combatentes para irmos até à escola primária El-Rei D. Dinis. Depois Escola Industrial no 1º ano e Escola Preparatória João Crisóstomo no 2º ano em frente à Fábrica Imperial de Borracha no Macambira.
Fazíamos geralmente dois percursos para a João Crisóstomo, ou íamos pelo Musseque Marçal, Rua Senado da Câmara, e seguíamos sempre em frente, ou íamos pela Rua Garcia da Orta da Electro-Montadora, virávamos na Av. Brasil e depois Senado da Câmara em direcção à escola. Ao olhar para o mapa é que verifico o que andávamos nessa altura, eu tinha 12 e ele 11 anos.
Na João Crisóstomo fizemos a comunhão Pascal no terraço, com um sol impiedoso onde algumas crianças chegaram a desmaiar. Posteriormente colocaram um telhado nesse terraço.
Na Sapataria estudávamos ou íamos brincar até ao embondeiro que havia num terreno baldio. E éramos felizes!... Hoje as crianças já não sabem brincar assim!
Depois perdi-lhe o rasto. Passados 40 e tal anos por um mero acaso (tal como o meu amigo Flávio, bendita net), através de um amigo comum, o Abílio, voltei a "encontrá-lo". Sei que está bem e um dia voltarei a olhar o rosto deste meu amigo que, como eu, andamos todos estes anos à procura um do outro. Curiosamente ele nunca se esqueceu do meu nome completo. Eu já não posso dizer o mesmo, para mim era o «Periquito» e «Periquito» para sempre ficou!
Os carros de rolamentos, as trotinetes, as nossas camionetas de bordão, os nossos papagaios de papel tudo era construído por nós. E éramos felizes!

Ir para a escola não era o papá ou a mamã que nos levava de carro, íamos a pé e a escola ficava a km do local onde morávamos. Eu e o meu amigo Luís que, segundo a “lenda”, fui eu que o baptizei de «Periquito» e ainda hoje é conhecido por esse nome de "baptismo", filho do dono da Sapataria S. João. Partíamos da Rua Missão de S. Paulo em frente à Igreja de S. Paulo até aos Combatentes para irmos até à escola primária El-Rei D. Dinis. Depois Escola Industrial no 1º ano e Escola Preparatória João Crisóstomo no 2º ano em frente à Fábrica Imperial de Borracha no Macambira.
Fazíamos geralmente dois percursos para a João Crisóstomo, ou íamos pelo Musseque Marçal, Rua Senado da Câmara, e seguíamos sempre em frente, ou íamos pela Rua Garcia da Orta da Electro-Montadora, virávamos na Av. Brasil e depois Senado da Câmara em direcção à escola. Ao olhar para o mapa é que verifico o que andávamos nessa altura, eu tinha 12 e ele 11 anos.
Na João Crisóstomo fizemos a comunhão Pascal no terraço, com um sol impiedoso onde algumas crianças chegaram a desmaiar. Posteriormente colocaram um telhado nesse terraço.
Na Sapataria estudávamos ou íamos brincar até ao embondeiro que havia num terreno baldio. E éramos felizes!... Hoje as crianças já não sabem brincar assim!
Depois perdi-lhe o rasto. Passados 40 e tal anos por um mero acaso (tal como o meu amigo Flávio, bendita net), através de um amigo comum, o Abílio, voltei a "encontrá-lo". Sei que está bem e um dia voltarei a olhar o rosto deste meu amigo que, como eu, andamos todos estes anos à procura um do outro. Curiosamente ele nunca se esqueceu do meu nome completo. Eu já não posso dizer o mesmo, para mim era o «Periquito» e «Periquito» para sempre ficou!
25/03/09
Bar Cravo
Bairro de S. Paulo, Bar Cravo na esquina entre a Travessa de S. Paulo e a Rua dos Pombeiros.
A acompanhar as Nocais, lá vinham uns camarões, uns pratinhos de torresmos, ou uma dobrada bem picante de jindungo que era para se beber mais cerveja para “apagar” o fogo que nos consumia as entranhas.
O amigo Mota, empregado do bar, deambulava por ali servindo as mesas com profissionalismo e quando nos via, a mim e aos meus dois irmãos, dizia: «Ali vêm os irmãos McGregor’s» (baptizados assim pelo Telmo Cravo)
Mas desta vez estava no Bar sozinho. Bebia sem moderação, não ia conduzir, também não podia pois ainda não tinha carta e naquela altura não havia o slogan se beber não conduza. Curioso é que as estatísticas dizem que 30% dos acidentes são provocados pelo excesso de álcool, o que significa que os outros 70% são provocados por quem bebe... água! Devia era ser proibido beber água antes de conduzir!
Mas voltemos ao Bar Cravo. Mesmo com a guerra civil dentro de Luanda, aquele bar estava sempre cheio e como a cerveja já não abundava, tinha-se obrigatoriamente que ser acompanhada com pratinhos dos ditos cujos, a pagar claro. Eram pratos empilhados cheios de torresmos, dobrada e afins mas a mesa cheia de garrafas vazias de Cucas e Nocais que a sede apertava e o calor era imenso.
De regresso a casa, morava na Rua do Lobito, já com as ideias um pouco difusas, sentei-me no meu quarto e na semi-obscuridade, escrevi... escrevi... escrevi!..
Com o cérebro toldado
Por vagas alcoólicas ingeridas,
Versos relembrando o passado,
Coisas de há tanto tempo, volvidas.
Na tristeza e solidão.
Lembro-me de coisas queridas,
Recordo com emoção
Extractos da minha vida.
Minha terra à beira-mar,
Que me chama a clamar,
Ondas na areia batendo,
Meu queixo de frio tremendo.
Gente conhecida vai passando,
Na minha imaginação febril,
Loucuras na mente vagando,
Meu cérebro com as trevas lutando.
Ai, quantas viagens infinitas!
Na escuridão imaginando,
Quantas filhas paridas,
Com fome e sede gritando.
Oh!.. que mundo cruel,
Que lembra o fel sobre o mel,
No peito de alguém tem guarida,
Os soluços de uma mulher perdida.
Procuro novamente concentrar,
Minhas ideias toldadas,
Procuro-me encontrar,
Loucura e imaginação aliadas.
Continuo neste mundo de trevas,
No qual o álcool me ajuda,
Lembro os horrores das guerras,
À geração futura.
E nesta escuridão sem fim,
Escrevo coisas de mim.
Tu mulata nocturna,
Que meu coração queres agarrar,
Teus olhos são como luzes mudas,
Que reflexos querem lançar.
Mas ó coração!,
Que o cérebro toldado não vê,
Que começa uma paixão,
Mulata, tens-me à tua mercê.
Sonhos e mais sonhos,
Na cabeça vão passando,
Continua o cérebro toldando,
Pensamentos no coração os ponho.
Quanta desilusão,
Ébrio continuo escrevendo,
Versos que saem do coração,
Coração quase morrendo.
Mas que sopro de vida,
Na penumbra contra a morte lida,
Abre-se um sorriso no peito tremente,
Mulata, no teu coração, dá-me guarida.
Continuo vagando,
Em emoções sem fim,
Mas que queres tu minha vida?!
Que queres tu mais de mim?!
Meu peito abre-se em pranto,
Lágrimas vou enxugando,
Tristeza quão galeão,
Em minha alma vai navegando.
Os tímpanos a arrebentar,
Olhos tristes a chorar,
Será realidade meu Deus?…,
Ou serão sonhos meus?…
Ao longe música suave escuto,
Relembrando o meu passado,
Contra as trevas luto.
Trevas do meu cérebro toldado.
Maldito álcool sejais,
Mas continuo a beber mais,
Porquê isto?...não sei,
Contra as trevas, não mais lutei.
Meu coração está vazio,
Rio-me neste mundo perdido,
Atinjo o auge da loucura,
Ai vida que me tortura!
Continua a mente vagando,
Recordações vão passando,
Mas…, tenho que reagir,
Não…, não quero partir,
Para o mundo do além,
Mas peço ajuda a quem?!
Não tenho ninguém.
Suor escorre pelo meu rosto,
Sujo como negro fosso,
Negro cavalo, alfanje em punho,
Caveira horrenda, negro manto roto,
Minha alma está querendo matar,
E eu, sem forças, estou a rezar.
E,… milagre meu Deus!
O cérebro das trevas se afastou,
Os pensamentos são novamente meus,
E,… quem me ajudou?!!!…
«Mário vem comer, o jantar está na mesa» - Ouvi ao longe, a voz da minha Mãe!
Luanda-1970
Marius70
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