O colonialista só critica, o luandense critica mas sofre ao ver a cidade onde nasceu - onde criança em homem e mulher se tornou, onde já adulto escolheu o país para dar um futuro melhor à sua família, coisa que em Portugal não o iria conseguir - no estado que está.
Quando Paulo Dias de Novais aportou a Ilha do Cabo, logo verificou que a ilha não era suficiente. Foi para terra firme e fundou a vila de S. Paulo de Assunção de Loanda a 25 de janeiro de 1576 (só foi cidade em 1605).
442 anos se passaram desde então.
Da cidade dos primeiros anos pouco resta, a cidade cresceu, a cidade mudou, a cidade foi-se modernizando.
A guerra traz sempre desgraça. Não só para aqueles que se julgam as maiores vítimas e que abandonaram a cidade onde nasceram e cresceram. A guerra também vitimiza quem lá ficou.
Hoje vive-se da lembrança desses tempos que foram da nossa juventude, do despertar do corpo, da perda da inocência. A saudade dizem, é uma forma de ser e de estar do nosso povo. Nada melhor para o demonstrar que o fado.
Somos saudosos do tempo que foi nosso, quando o rosto ainda não nos trazia os riscos da juventude perdida.
Hoje olhamos para esse passado e, aliado a ele,... uma cidade, a cidade de Luanda.
fotos: Avª Salvador Correia dos tempos antigos e batuque na ilha do Cabo em 1900
20/02/18
19/02/18
Ondina Teixeira
Para além de Alex, Vasco Rafael e João Sequeira, outros cantores fizeram a nossa delícia nos programas de entretenimento em Luanda, "Chá das Seis" no Restauração, a "Parada de Alegria" no Colonial, "Passatempo" nos SMAE e o "Cazumbi" no Miramar eram sem dúvida os locais privilegiados para um domingo bem passado.
Uma cantora que também é incontornável no panorama musical em Angola é sem dúvida, Ondina Teixeira.
Muitos êxitos, muitas viagens por essa Angola, muitas presenças nos palcos e de uma simpatia que a fama não lhe fez extinguir, a Ondina, que quando foi para Luanda ainda garota, morou ali no meu Bairro de S. Paulo por cima da Sapataria S. João, era presença assídua nos programas que referi. Aqui está então em cartaz no Cazumbi com apresentação de Ruth Soares e Luiz Montez...
(curiosa é a apresentação da Ondina como artista "BoÇa Nova" e não "BoSSa Nova" e a dos "NEgoleiros", que devem ser os "Ngoleiros do Ritmo")
Podemos ouvir a Ondina não no Cazumbi mas no Chá das Seis... "Simplesmente Maria"
Uma cantora que também é incontornável no panorama musical em Angola é sem dúvida, Ondina Teixeira.
Muitos êxitos, muitas viagens por essa Angola, muitas presenças nos palcos e de uma simpatia que a fama não lhe fez extinguir, a Ondina, que quando foi para Luanda ainda garota, morou ali no meu Bairro de S. Paulo por cima da Sapataria S. João, era presença assídua nos programas que referi. Aqui está então em cartaz no Cazumbi com apresentação de Ruth Soares e Luiz Montez...
(curiosa é a apresentação da Ondina como artista "BoÇa Nova" e não "BoSSa Nova" e a dos "NEgoleiros", que devem ser os "Ngoleiros do Ritmo")
Podemos ouvir a Ondina não no Cazumbi mas no Chá das Seis... "Simplesmente Maria"
17/02/18
Mutamba antiga
Na Rua Luís de Camões a estátua do poeta, que agora é linda, na época o escultor foi quase "crucificado" pois não havia ninguém que ficasse indiferente a um Camões "trinca-espinhas". Caiu o Carmo e a Trindade por tal desfaçatez.
Sabemos também que quando vivemos numa cidade, ou noutro local qualquer, pouco se liga ao que nos rodeia. Vive-se, vai-se aqui e ali e como tudo isso faz parte da nossa vida, é mais uma rua, é a mais um cinema que se vai, é mais um fim de semana de praia ou de farra.
São esses momentos que mais tarde, longe desses locais que passávamos indiferentes, se fazem sentir e nada melhor que estas imagens para as recordar.
A alma chora, a mente vagueia e lá nos vemos agora sim, com o coração nas mãos, a recordar esses tempos, com saudade, e até o poeta afinal não está assim tão mal ali no pedestal.
E como era L(o)uanda antes de nós a conhecermos como era no nosso tempo?
Já não há gente viva destas fotos dos anos mil novecentos e troca o passo. Conhecemos e bem a nossa Mutamba. Todos nós ali apanhávamos o maximbombo para a nossa casa, para o trabalho/escola, para a praia, ou para o local onde íamos gingar ou dançar um "slow" com a princesa dos nossos sonhos.
Alguma vez imaginaram uma Mutamba assim? Pois aqui está como ela era.
Sabemos também que quando vivemos numa cidade, ou noutro local qualquer, pouco se liga ao que nos rodeia. Vive-se, vai-se aqui e ali e como tudo isso faz parte da nossa vida, é mais uma rua, é a mais um cinema que se vai, é mais um fim de semana de praia ou de farra.
São esses momentos que mais tarde, longe desses locais que passávamos indiferentes, se fazem sentir e nada melhor que estas imagens para as recordar.
A alma chora, a mente vagueia e lá nos vemos agora sim, com o coração nas mãos, a recordar esses tempos, com saudade, e até o poeta afinal não está assim tão mal ali no pedestal.
E como era L(o)uanda antes de nós a conhecermos como era no nosso tempo?
Já não há gente viva destas fotos dos anos mil novecentos e troca o passo. Conhecemos e bem a nossa Mutamba. Todos nós ali apanhávamos o maximbombo para a nossa casa, para o trabalho/escola, para a praia, ou para o local onde íamos gingar ou dançar um "slow" com a princesa dos nossos sonhos.
Alguma vez imaginaram uma Mutamba assim? Pois aqui está como ela era.
10/02/18
Vasco Rafael e João Sequeira
Vasco Rafael e João Sequeira, duas figuras incontornáveis dos palcos angolanos. Quase sempre atuavam nos mesmos espetáculos
Vasco Rafael um fadista com uma voz portentosa, João Sequeira mestre na rábula como actor.
Vi-os muitas vezes em Luanda e uma vez nos SMAE, o Vasco dispensou o microfone. A voz dele chegava.
Felizmente o João Sequeira ainda está vivo e que continue por muitos e longos anos.
Vasco Rafael um fadista com uma voz portentosa, João Sequeira mestre na rábula como actor.
Vi-os muitas vezes em Luanda e uma vez nos SMAE, o Vasco dispensou o microfone. A voz dele chegava.
Felizmente o João Sequeira ainda está vivo e que continue por muitos e longos anos.
09/02/18
Alex
No Maxime, no Embaixador, nos mais famoso cabarets de Luanda não podia faltar o Alex que vi atuar no Cine Restauração e no Cine Colonial.
Nas fotos (que me ofereceu mas sem compromissos) com a irmã Xela (Alex ao contrário que também atuava com ele).
Nas fotos (que me ofereceu mas sem compromissos) com a irmã Xela (Alex ao contrário que também atuava com ele).
20/12/17
EDAL - Estofos de Angola
5ª Avenida da Zona Industrial - Cazenga - Luanda
Sempre gostei de desenhar. Não tinha, nem tenho, muito jeito para o desenho imaginativo, excepto quando fui desenhador na Empresa Edal – Estofos de Angola, onde tinha como função a criação de diversos tipos de mobiliário, uns a pedido do cliente, outros para nova gama de produtos a lançar no mercado pela Empresa. Saí-me sempre bem dessa função e tenho muito orgulho pelo que fiz nessa empresa que me ficou no coração.
Andava na Escola Industrial de Luanda, como trabalhador/estudante (ensino noturno), trabalhando de dia nas oficinas da União Comercial de Luanda, quando soube de uma vaga como desenhador na EDAL. Concorri e lá fiquei.
O meu estirador de desenho era ainda de régua T tipo escola, só tendo sido alterada para um estirador moderno, um ano depois.
A EDAL era uma filial da MOLAFLEX, fundada pelo avô do atual Presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.
A EDAL foi inaugurada já sobre a direção do pai dele, Rui Höfle de Araújo Moreira.
Foi um trabalho muito criativo, tendo um dos pontos mais altos, a decoração de uma ala do Aeroporto de Luanda. Quando regressei a Luanda em 89 passei por lá e ainda lá estava o que tinha idealizado no meu estirador de desenho. :)
Depois da tropa continuei como desenhador na Empresa. A situação complicou-se com a guerra civil em Luanda. Alguns trabalhadores quando se dirigiam para a Empresa foram roubados e presos por um dos "movimentos" que gladiava pelo controle de Luanda.
Pedi um jeep e juntamente com o motorista fui ao quartel desse "movimento" no Cazenga. Os soldados falavam francês e sorte minha ter tido francês na Industrial. Pedi que um oficial viesse falar comigo. Assim foi. Esse falava português e ouvida a situação, disse-lhe que gostaria de levar os trabalhadores pois sem eles a Empresa não podia funcionar. Acedeu ao meu pedido, "insultou" quem tinha preso os trabalhadores que, depois de um grande abraço, entraram no jeep mas sem antes referirem que queriam o que lhes tinha sido roubado, disse-lhes que o bem mais precioso que tinham era a vida e ala para a EDAL.
Mais tarde devido à violência se ter generalizado e o Cazenga ter sido um dos bairros mais "castigados", mudamos provisoriamente as instalações para a Marginal de Luanda.
Em Setembro de 1975 comprei bilhete de avião de ida e volta, e quando lá voltei, 14 anos depois, ainda laborava e os meus olhos ficaram mar.
Nestas fotos estão alguns que comigo trabalharam. Na p&b os que estão assinalados com seta, trabalhavam na produção, os da foto a cores trabalhavam comigo na sala de desenho.
Sempre gostei de desenhar. Não tinha, nem tenho, muito jeito para o desenho imaginativo, excepto quando fui desenhador na Empresa Edal – Estofos de Angola, onde tinha como função a criação de diversos tipos de mobiliário, uns a pedido do cliente, outros para nova gama de produtos a lançar no mercado pela Empresa. Saí-me sempre bem dessa função e tenho muito orgulho pelo que fiz nessa empresa que me ficou no coração.
Andava na Escola Industrial de Luanda, como trabalhador/estudante (ensino noturno), trabalhando de dia nas oficinas da União Comercial de Luanda, quando soube de uma vaga como desenhador na EDAL. Concorri e lá fiquei.
O meu estirador de desenho era ainda de régua T tipo escola, só tendo sido alterada para um estirador moderno, um ano depois.
A EDAL era uma filial da MOLAFLEX, fundada pelo avô do atual Presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.
A EDAL foi inaugurada já sobre a direção do pai dele, Rui Höfle de Araújo Moreira.
Foi um trabalho muito criativo, tendo um dos pontos mais altos, a decoração de uma ala do Aeroporto de Luanda. Quando regressei a Luanda em 89 passei por lá e ainda lá estava o que tinha idealizado no meu estirador de desenho. :)
Depois da tropa continuei como desenhador na Empresa. A situação complicou-se com a guerra civil em Luanda. Alguns trabalhadores quando se dirigiam para a Empresa foram roubados e presos por um dos "movimentos" que gladiava pelo controle de Luanda.
Pedi um jeep e juntamente com o motorista fui ao quartel desse "movimento" no Cazenga. Os soldados falavam francês e sorte minha ter tido francês na Industrial. Pedi que um oficial viesse falar comigo. Assim foi. Esse falava português e ouvida a situação, disse-lhe que gostaria de levar os trabalhadores pois sem eles a Empresa não podia funcionar. Acedeu ao meu pedido, "insultou" quem tinha preso os trabalhadores que, depois de um grande abraço, entraram no jeep mas sem antes referirem que queriam o que lhes tinha sido roubado, disse-lhes que o bem mais precioso que tinham era a vida e ala para a EDAL.
Mais tarde devido à violência se ter generalizado e o Cazenga ter sido um dos bairros mais "castigados", mudamos provisoriamente as instalações para a Marginal de Luanda.
Em Setembro de 1975 comprei bilhete de avião de ida e volta, e quando lá voltei, 14 anos depois, ainda laborava e os meus olhos ficaram mar.
Nestas fotos estão alguns que comigo trabalharam. Na p&b os que estão assinalados com seta, trabalhavam na produção, os da foto a cores trabalhavam comigo na sala de desenho.
04/12/12
14 anos depois
Estória de um regresso a Luanda, 14 anos depois
Avª D. João II, ano da graça do Senhor - 1989.
Onde era o Café Palladium (esquina da Combatentes com a D. João II) em plena via pública estava um sujeito com uma cadeira de rodas a vender jornais. Fui lá e dei 50 kwanzas, recebi o jornal e aguardei pelo troco.
Como ele nunca me dava perguntei se o jornal custava 50 K e ele disse-me que não, custava 20, mas que não tinha troco para me dar, disse-me que o dinheiro mais 'baixo' nessa altura (devido à inflação) eram mesmo os 50 k.
Ri-me do assunto, fiz de conta que acreditei, pois não me aquecia nem arrefecia e a ele dava-lhe um grande jeito o dinheiro, e fui-me embora.
Foi a única vez para mim que a 'gorgeta' foi superior ao valor da compra!
Foto tirada do Hotel Alameda (onde fiquei).
Avª D. João II, ano da graça do Senhor - 1989.
Onde era o Café Palladium (esquina da Combatentes com a D. João II) em plena via pública estava um sujeito com uma cadeira de rodas a vender jornais. Fui lá e dei 50 kwanzas, recebi o jornal e aguardei pelo troco.
Como ele nunca me dava perguntei se o jornal custava 50 K e ele disse-me que não, custava 20, mas que não tinha troco para me dar, disse-me que o dinheiro mais 'baixo' nessa altura (devido à inflação) eram mesmo os 50 k.
Ri-me do assunto, fiz de conta que acreditei, pois não me aquecia nem arrefecia e a ele dava-lhe um grande jeito o dinheiro, e fui-me embora.
Foi a única vez para mim que a 'gorgeta' foi superior ao valor da compra!
Foto tirada do Hotel Alameda (onde fiquei).
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